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O que aprendi com a pandemia. Até agora.

By on October 31, 2020 in Chamando o Nazza with 0 Comments

São exatos 8 meses desde que tudo começou. Bom, 8 meses aqui no Brasil mas na real é mais tempo. Nunca estivemos tão unidos e globalizados como agora, e quando digo unidos me refiro a que todos vivemos um momento igual, claro que de diferentes formas, mas sim, a pandemia afetou todo o planeta.

Para mim teve um agravante, uma semana antes de entrarmos em quarentena no Brasil, minha mãe sofreu um acidente em casa, quebrou o fêmur e ficou acamada.

Não, essa não foi a primeira vez que passei por grandes abalos na vida, mas dessa vez, não estava passando por isso sozinha, todo o mundo estava sofrendo junto comigo, e o mais triste foi ver que toda aquela solidariedade e união que parecia sincera (e talvez até era mesmo)  nos primeiros meses de pandemia, se esvaneceu mais rápido do que um doce na frente de uma criança. Ficamos mais egoístas.

É certo que o isolamento social é muito prejudicial para o cérebro e me arrisco a dizer que o isolamento por si só é uma pandemia à parte, mas confesso que fiquei chocada com a forma em que algumas pessoas lidaram com isso.

Sim, é difícil olhar para os próprios demônios, é difícil ter que conviver 24 horas com aquela pessoa que com tantas distrações do dia a dia, não percebíamos que simplesmente não sabíamos como lidar, é difícil viver num lugar pequeno. É difícil não ter dinheiro para pagar as contas. Mais difícil mesmo é parar e não fazer nada, a mente divaga, os pensamentos não param, a real é que muitos ainda não perceberam que não sabem lidar consigo mesmos e o pior, não têm (e, muito provavelmente, nunca terão) consciência que o problema se resolve olhando pra dentro e não pra fora. Sei que a frase é clichê, mas é importante.

Vi pessoas se infectando propositalmente para poderem sair, pessoas indo em festas clandestinas, pessoas que passavam o dia postando fake news sem nem perceber, pessoas dizendo que era só uma gripe e rindo daqueles que estavam se cuidando, vi muitos dizendo que saiam pois não iam parar de viver a vida, mas que vida é essa em que não se consegue suportar nem a si mesmo?

Vi também muitos heróis e desses, escrevo com os olhos cheios de lágrimas, quantos não se arriscaram (e se arriscam) diariamente para salvar a vida dos doentes? Quantos não estão nas ruas levando alimento, mantimentos e remédios para aqueles que permaneceram em casa? Quantos não reinventaram seu negócio e se encheram de dívidas para não despedir seus funcionários? São muitos os exemplos, vi amigos se recuperarem da covid e transformarem suas vidas.

Mas ainda assim, o egoísmo impera, como pode a vontade de postar fotinho com os amigos na praia ser mais importante do que uma vida? Como pode o desejo de dinheiro e poder serem tão grandes a ponto de roubar e desviar verba de um respirador? Infelizmente, o mundo ainda possui muitas maçãs podres.

Acho que a lição mais importante que aprendi com tudo isso que aconteceu é que infelizmente, em momentos como esse, não se pode contar com ninguém, e tá tudo bem.  Aprendi também que nesses momentos existe uma força inexplicável que surge e te faz continuar.

Aprendi na pele a relatividade do tempo que o Einstein falou, às vezes o tempo parece não passar, às vezes passa tão rápido que não dá tempo de fazer nada. De qualquer forma, uma coisa é certa; Há de saber aceitar o tempo das coisas e navegar de acordo com a sua velocidade, com alegria, temperança e paciência.

Aprendi que não existe problema sem solução e que muitas vezes, a melhor forma de solucioná-lo é se distanciar dele. Quando o mundo parece desmoronar, o melhor a fazer é tomar um banho quente.

Aprendi a me amar, a amar meu corpo do jeito que é, a refletir e reconhecer meus erros, a parar de ser tão crítica com os outros e comigo mesma, a parar pra me cuidar porque me faz bem e não porque preciso mostrar para alguém. Aprendi a amar cada momento do meu dia, o momento do café, de comer com minha mãe, de estudar, de trabalhar, de resolver problemas, de estar com meus cães, de falar com alguém, de cuidar do jardim, de refletir, de meditar e também do momento de não fazer nada.

Aprendi a entender os ciclos, a amar às pessoas mesmo quando te dão as costas, a se perdoar depois de postar merda na internet, a rir de discussões, a lidar com a raiva em momentos de desespero, a acordar e agradecer ao espaço e ao universo por ainda estar aqui.

Aprendi que não vou conseguir aprender tudo mas que, se eu souber observar, todos os dias a vida me ensina algo.

Não estamos vivendo apenas uma pandemia global, mas também uma alienação global, e essa frase, dita pela professora Professora Lucia Helena Galvão, não poderia ser mais perfeita: “Todas as alienações que vivemos são altamente globalizadas”. De todas as alienações, a pior é a alienação com a vida. O consumo desenfreado que causa desmatamento e incêndio, a falta de empatia em infectar alguém que pode não sobreviver ao estar doente, a falta de cuidado com o outro e consigo mesmo, a preguiça de pesquisar uma informação antes de acreditar em qualquer coisa que se ouve ou lê por aí e a incapacidade de perceber que uma vida é ligada a outra, como numa rede e todas elas são importantes. Sim, você não sobreviveria se não houvessem mosquitos!

Uma vez me disseram que a noite é sempre mais escura antes do amanhecer, acredito que é exatamente esse momento que vivemos agora, a luz está próxima mas antes dela chegar é necessário suportar a escuridão, aprender as lições que ela traz e se preparar para o que está por vir. Por enquanto, procuro fazer o mesmo que aprendi a fazer com as minhas plantas, cortar os galhos quebrados ou doentes, selecionar os galhos mais fortes e depois, transformá-los em mudas que poderão então ser multiplicar.

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, Influenciadora Digital e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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