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Insônia e pesadelos em tempos de Pandemia.

By on May 19, 2020 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

Era uma rua cheia de gente, as pessoas pareciam perdidas e sem saber para onde ir. Havia um clima de medo e tensão. De repente, o Jason de Sexta-Feira 13 aparece do nada e começa a atacar todo mundo, corro com todas as minhas forças, sem olhar para trás, ao mesmo tempo vejo rostos de pessoas conhecidas, sinto o medo e pânico! AHHH! Acordo! Ufa!

Nossas atividades de vigília criam um rolo de lembranças que influenciam o conteúdo de nossos sonhos. As emoções transmitidas a partir do dia podem influenciar o que sonhamos e como nos sentimos dentro do próprio sonho. Reduzir ou restringir as fontes de memórias cotidianas ao ficar preso em quarentena pode limitar o conteúdo dos sonhos ou fazer com que o subconsciente busque memórias mais profundas.

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Estudos realizados com sonhos de sobreviventes de eventos traumáticos, demonstraram que os sonhos tendem a seguir dois padrões: referenciam diretamente ou reencenam uma versão do evento traumático, ou são fantásticos, com elementos simbólicos substituindo o trauma.

Com centenas de milhões de pessoas se abrigando em casa durante a pandemia do coronavírus, alguns especialistas acreditam que a retirada dos nossos ambientes habituais e estímulos diários, deixou os sonhadores com uma escassez de “inspiração”, forçando nossas mentes subconscientes a se interessarem mais pelos temas de nossas vidas. Embora a ansiedade possa causar insônia e diminuição na qualidade do sono, sonhos bizarros e carregados de simbolismo permitem que alguns sonhadores superem memórias intensas ou estressores psicológicos cotidianos, dentro da segurança de seu subconsciente.

Durante os estados de sonho, o estresse envia o cérebro para uma viagem. Os sinais e reações neurobiológicos causados por ele ativam receptores nervosos chamados serotonina 5-HT2A, que desligam uma parte do cérebro chamada córtex pré-frontal dorsal. O resultado disso é conhecido como “desinibição emocional”, um estado em que as emoções inundam a consciência, isso acontece especialmente durante o estágio REM (movimento rápido dos olhos – Rapid Eye Movement). Embora esses processos ocorram todas as noites, a maioria das pessoas normalmente não se lembra dos seus sonhos.

De acordo com um estudo em andamento (ajude a pesquisa clicando nas referências no fim do texto) no Centro de Pesquisa em Neurociências de Lyon, na França, iniciado em março, e outro estudo promovido pela Associação Italiana de Medicina do Sono, a pandemia do coronavírus causou um aumento de 35% no recall dos sonhos entre os participantes, com os entrevistados relatando 15% mais sonhos negativos do que o habitual, incluindo pesadelos como sonhar que pegou o vírus ou com símbolos metafóricos  como insetos, zumbis, desastres naturais, figuras sombrias, monstros ou atiradores em massa. Os participantes também relataram sofrer de parassonias, um distúrbio do sono caracterizado por movimentos anormais, que causa interrupções no repouso e gera sonolência, cansaço e menor desempenho cognitivo e físico durante o dia como consequência.

Mas, como resolver esse problema? Algumas técnicas podem ser utilizadas para diminuir a ansiedade antes de dormir como as que indico no vídeo abaixo porém, roteirizar e escrever o que gostaria como resultado do sonho, também pode ajudar.

Referências:

. http://www.sonnomed.it/2020/04/01/ricerca/

. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0055936

. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5636081/

. https://journals.plos.org/plosone/article/figure?id=10.1371/journal.pone.0055936.g001

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, blogger, vlogger e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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