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Como parar o medo.

By on January 12, 2020 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

Você sente pavor, ansiedade e pânico. Seu coração dispara, sua respiração acelera e seus músculos ficam tensos. Seu corpo entra em luta, pronto para fazer tudo o que é necessário para protegê-lo.

O medo gera uma reação em cadeia. Começa com um estímulo assustador e termina com o corpo se preparando para o perigo. Sair a noite sozinho, aranhas, cobras, locais cheios de gente, locais sem gente, voar de avião, altura, relacionamentos, gente. O medo é realmente algo que nos corrói e somos inundado por ele, não importa aonde estamos ou o que estamos fazendo. Notícias, redes sociais. O medo está em todo lugar, e sim, faz muito mal para o nosso cérebro.

No cérebro, essa reação envolve cinco partes diferentes do seu cérebro. Começa no tálamo, que recebe sinais dos sentidos do seu corpo e, a partir daí, existem dois caminhos diferentes que a reação do medo pode seguir.

Um é a resposta mais rápida, mais básica e menos racional a situações de risco de vida. Se um desses sinais ameaça a vida, como sentir uma faca na garganta, o tálamo alerta a amígdala. Sua amígdala desencadeia respostas emocionais e solicita que seu hipotálamo aumente suas glândulas supra-renais e apresse o sangue nos músculos para afastá-lo do perigo.

Se o sinal não ameaça a vida, o cérebro assume uma resposta mais racional, se você vê algo que não é fatal, mas ainda assustador, como uma barata deslizando pelo chão, a amígdala alerta o córtex pré-frontal ou sensorial. O córtex alerta o hipocampo e o estimula a comparar a ameaça atual com as ameaças passadas. O hipocampo é o centro de memória do cérebro (leia mais aqui). Se determinar que o atual estímulo ao medo é uma ameaça, mas não uma ameaça à vida, o hipocampo aumenta seus sentidos a um grau quase sobre-humano e desencadeia sua resposta de luta ou fuga.

Ambos os processos são automáticos e ocorrem em “frações de segundo”. Por mais útil que seja essa resposta, a velocidade e a profundidade podem ser prejudiciais. Uma vez que as vias do medo são aumentadas, o cérebro dá um curto-circuito nos caminhos de processamento mais racionais e reage imediatamente aos sinais da amígdala. Quando nesse estado hiperativo, o cérebro percebe os eventos como negativos e os lembra dessa maneira.

O problema é que essa memória fica guardada e pode ser desencadeada em qualquer momento, mesmo que não haja o mesmo perigo, mas situações que poderiam recordar essa memória e isso pode ser bem problemático principalmente em casos de síndrome do pânico e transtorno de estress pós traumático pois podem chegar a alterar a visão da realidade do indivíduo.

O processo de superar uma memória do medo é conhecido como extinção do medo. A extinção do medo envolve criar uma nova resposta ao estímulo causador do medo, ou seja, fazer associações positivas com a aquilo que o assustou. Por exemplo, se sua resposta ao medo foi desencadeada ao ver uma barata deslizando pelo chão, essa resposta será desencadeada toda vez que você olhar pro mesmo lugar onde viu a barata pela primeira vez.

Isso não é muito útil, além de ser estatísticamente muito improvável de acontecer, mas, se você olhasse para o mesmo lugar todos os dias sem ver baratas, a resposta ao medo pode ser reescrita.

Isso funciona porque a amígdala deseja associar a memória à resposta de congelamento, mas pode ser treinada para associá-la a algo menos debilitante. Uma vez que a amígdala faz isso, a memória do medo é reescrita. Quando isso acontece, você fica livre do medo!

Fiz um vídeo com dicas para lidar com a ansiedade que podem servir também para evitar que essas situações de medo sejam mais constantes, Link está abaixo:

Referências:

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, blogger, vlogger e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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