A Música e a Emoção – Por que algumas músicas nos fazem chorar?

By on June 6, 2012 in MusicaMente with 2 Comments

Pelo visto, nem mesmo nosso choro é realmente nosso. Já está demonstrado cientificamente que uma música pode desencadear lágrimas e nos fazer chorar.

Após ler a reportagem do Wall Street Journal referente a música de Adele, “Someone Like you” e o porquê ela nos faz chorar, resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto e publicar aqui no blog.

Embora a experiência pessoal e a cultural desempenham reações individuais (será que é realmente individual?), pesquisadores descobriram que determinadas características das músicas estão diretamente associadas ao desencadeamento de fortes emoções nos ouvintes.

O psicólogo britânico John Sloboda conduziu um experimento simples há vinte anos atrás. Pediu a algumas pessoas que identificassem trechos de suas músicas preferidas que desencadeassem alguma reação física, como lágrimas ou arrepios. Os participantes identificaram 20 passagens desencadeantes de lágrimas e, ao analisar suas propriedades, Sloboda descobriu que 18 delas continham um dispositivo musical chamado Appoggiatura, do verbro appoggiare em Italiano, ou melhor, nota apoiada.

Appoggiatura é um tipo de nota ornamental que se choca com a melodia apenas o suficiente para criar um som dissonante, para entender melhor, clique aqui.

Quando várias appoggiaturas ocorrem uma após a outra em uma melodia é gerado um ciclo de tensão e libertação e isso provoca uma reação ainda mais forte, o choro e depois nos faz sentir bem.

Veja aqui um exemplo:

O Dr. Martin Guhn, psicólogo da Universidade Columbia e seu colega Marcel Zentner, co-escreveram um estudo em 2007 sobre o assunto. Eles descobriram, que algumas canções compartilham ao menos quatro características:

– Começam suavemente e tornam-se altas repentinamente.

– Incluem uma entrada abrupta de uma nova “voz”, seja um instrumento novo ou harmonia.

– Envolvem uma expansão das freqüências tocadas.

– Contêm desvios inesperados na melodia ou harmonia em suas passagens.

Estas técnicas são as mesmas que os grandes compositores clássicos utilizavam no passado. Em uma passagem de Piano do “Concerto N º 23 (K. 488)” de Mozart, por exemplo, os violinos saltam uma oitava para ecoar a melodia:

Aqui no blog é possível conferir como essa mesma música nos impacta numa propaganda. A música provoca um frio na espinha, uma vez que se inclui surpresas em termos de volume, timbre e padrão harmônico.

“Someone Like You”, escrita por Adele e Dan Wilson, é salpicado de notas ornamentais semelhantes a appoggiaturas. A música começa com um padrão suave e repetitivo, enquanto Adele mantém as notas dentro de uma estreita faixa de freqüência. Quando o coro entra, a voz de Adele salta uma oitava acima e ela canta as notas altas com volume crescente. A harmonia muda, e a letra se torna ainda mais dramática. Tudo isso cria um clima sentimental e melancólico.

Vejam no vídeo como as pessoas se emocionam com a cantora:

Quando a música quebra de repente seu padrão esperado, nosso sistema nervoso simpático (o que provoca ações básicas como acelerar o coração quando corremos, por exemplo) entra em alerta máximo; nossos corações aceleram e começamos a suar. Dependendo do contexto, interpretamos este estado de excitação como positivo ou negativo, feliz ou triste.

Músicas emocionalmente intensas liberam dopamina no nosso centro de prazer e recompensa do cérebro, o núcleo accumbens. Isso nos faz sentir bem e nos motiva a repetir o comportamento. Seja uma música triste ou feliz, o nível de dopamina liberada é o mesmo, isso sugere que quanto mais emoções uma música provoca, mais queremos ouvi-la.

A música nos leva a um nível de resposta emocional tão intenso que é raro experimentar essas sensações em outras atividades do nosso dia a dia.

Para finalizar, ouça aqui a minha playlist especial feita somente com músicas deprê, disponível no youtube e spotify e mande ver nas lágrimas:

Referências:

– http://pt.wikipedia.org/wiki/Ornamento_%28m%C3%BAsica%29#Appoggiatura.2C_Apogiatura_ou_Apojatura

– ‘The Musical Mind:The Cognitive Psychology of Music.’ John A Sloboda. London – Oxford Press, 1985

– http://online.wsj.com/home-page

 

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About the Author

About the Author: É idealizadora da Círculo Produções, blogger, produtora musical, manager de djs, musicoterapeuta organizacional e estudante de neurociência. Multitask ou melhor multiloca, já foi dona de loja, garçonete, Dj, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama o cérebro, teorias de conspiração, ser do contra e escrever. .

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  1. A música e a obsessão – Entenda a Biebermania : MARI VERZARO | July 2, 2012
  1. Bruno Knauer Pazini says:

    Muito legal!

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