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A música e a Fala – A Natureza musical da linguagem.

By on April 28, 2012 in MusicaMente with 0 Comments

Ainda quando estamos no útero, somos já bombardeados por música. Por mais que nossas mães nunca cantem ou ouçam uma música; Cada vez que ela fala, mesmo sem entender, somos capazes de reconhecer a melodia falada.

O som que ouvimos é mais ou menos parecido com o som que os adultos faziam ao falar no desenho de Charlie Brown, talvez essa seja a razão por ter ficado tão famoso. Veja esse vídeo incrível sobre a audição do bebê dentro do útero, lembrando que a audição é o primeiro sentido a ser desenvolvido:

 

 

Essas melodias criam um vínculo entre a mãe e filho e também ajudam no desenvolvimento precoce da fala.

Desde o início da vida, a música e a fala estão interligadas, aqui no blog já foi observado como a música pode ajudar pessoas nos problemas da fala como a Afasia e a gagueira devido a sua familiaridade com a linguagem. A percepção do tom nos ajuda a aprender a falar, a ler e principalmente, a interpretar a intenção quando uma pessoa fala.

A afinação dos nossos ouvidos no início da vida é o que forma o tom da nossa fala e, está tão integrado com a linguagem que nossa língua materna altera nossa percepção musical.

Os rappers compõem “conversas” de maneira muito eficaz. Os gritos melancólicos dos vendedores ambulantes também atravessam a fronteira difusa entre a fala e música. Quem é que não lembra da música da pamonha?

Esta natureza musical da fala expressa significado e sentimento. Quando estamos felizes e animados, falamos mais rapidamente e usamos tons mais agudos. Quando estamos tristes, falamos mais devagar, usando uma voz mais profunda, mais grave.

Veja Abaixo cena do filme “A Procura da Felicidade”, é possível ver claramente a diferença das “vozes musicais” de acordo com a mudança de sentimento nos personagens.

Os pais, naturalmente, exageram a música de suas sílabas quando falam com bebês, e os bebês compreendem, mesmo sem saber o que aquelas palavras significam.

Diana Deutsch, psicóloga da Universidade da Califórnia em San Diego, acredita que o idioma que ouvimos quando crescemos (língua materna), cria uma espécie de padrão musical em nosso cérebro, uma rede neural capaz de identificar deferentes tons.
Esse padrão não influencia somente o tom da nossa voz, mas também nossa probabilidade em desenvolver o ouvido absoluto (capacidade de reconhecer com extrema precisão a freqüência característica de cada som, possibilitando-o nomear tons específicos, assim como entoá-los isoladamente, sem a necessidade de recorrer a quaisquer parâmetros).

Diana descobriu que em países com idiomas mais tonais, como o Mandarim e o Viatinamita, é muito comum ter pessoas com ouvido absoluto.
Nesses idiomas, é o tom que define o significado das palavras; em Madarim, por exemplo, uma mesma palavra pode ter significados completamente diferentes, veja abaixo:

Entre um grupo de estudantes de um conservatório musical, Diana descobriu que, 90% dos fluentes em mandarim tinham ouvido absoluto; já entre os fluentes em Inglês, a taxa era de apenas 8%.

Diana também descobriu que os falantes de idiomas tonais também utilizam o tom perfeito ao falar. Quando vietnamitas e chineses recitaram uma lista de palavras em dois dias diferentes, o tom das palavras foi praticamente idêntico.

A música é tão essencial à linguagem que nossa percepção tonal é crucial para a nossa capacidade da fala e principalmente, para compreender o que os outros querem dizer e como se sentem ao falar conosco.

Ao aprender a falar, estamos na verdade, afinando nossos ouvidos para a música.

Referência:
– Scientific American, Speaking in Tones, Diana Deutsch , Julho 2010.
– http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvido_absoluto

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About the Author

About the Author: É neurocientista, idealizadora da Círculo Produções, professora de Yoga, Dj de Techno e blogger. Já foi dona de loja, garçonete, manager de artista, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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