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Humano x máquina – Quão próximo estamos de uma real imersão?

By on December 9, 2019 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

Nesse momento, seu smartphone pode estar no seu bolso mas, há apenas um link de distância, temos acesso instantâneo à sabedoria e ao conhecimento do mundo ao alcance de nossas mãos. Podemos nos comunicar com milhões de pessoas em todo o mundo em mais de uma dúzia de idiomas diferentes, sem nunca tê-los aprendido. Podemos rastrear nossos dados biométricos e receber automaticamente feedbacks do nosso desempenho.

Sem saber, terceirizamos nossas memórias a nuvem. Ao tornarmos simbióticos com as máquinas, mudamos a maneira como percebemos e lembramos do mundo ao nosso redor.

Pouco a pouco, vamos emergindo cada vez mais com as máquinas, atualmente já é possível controlar um computador ou um membro robótico com pensamentos. Isso é possível graças aos avanços nas interfaces cérebro-máquina(ICM) que traduzem informações neuronais em comandos de computador.

Embora o interesse nessas interfaces tenha explodido em grande parte por causa do projeto secreto da Neuralink de Elon Musk, pesquisas nessa área começaram décadas atrás, quando o professor da UCLA Jacques Vidal lançou o “desafio do ICM” em 1973 de controlar um objeto gráfico usando sinais de EEG. Em 1977, ele enfrentou seu próprio desafio e usou um EEG não invasivo para mover um objeto parecido com um cursor através de um labirinto numa tela de computador.

As interfaces agora podem perceber o que queremos usando as informações associadas ao nosso sistema de recompensas. No laboratório de Joe Francis, professor de engenharia biomédica da Universidade de Houston, eles trabalham duro para melhorar essa tecnologia.

“Passamos de casos simples de recompensa/não recompensa para ambientes muito mais complexos, com vários níveis de recompensa e até de punição”, diz Francis. 

Francis relata que descobriram que o sistema de recompensa altera a representação motora do movimento e de controle dessas interfaces. Para ilustrar, ele deu o exemplo de que, se você pegasse um sorvete  vs. algum lixo enquanto conectado à interface, ela registraria sua atividade neural significativamente diferente nessas duas situações, por mais que o movimento seja o mesmo.

Utilizando os princípios de aprendizado por reforço, essa interface pode prever se o usuário deseja alcançar um objeto que ofereça um resultado gratificante com extrema precisão. “Desenvolvemos classificadores precisos quase perfeitos (até 97% de precisão de classificação) para prever o resultado da recompensa usando os recursos integrados de densidade espectral de potência, dos potenciais de campo local e coerência de campo de pico”, diz.

Como essa tecnologia pode ser usada? Além de ajudar pacientes paralisados ​​a interagir com o ambiente, Francis está otimista em relação ao desenvolvimento de interfaces que possam acompanhar o estado psicológico de um usuário em relação à terapia e modificação comportamental.

Na psicologia, o aprendizado por meio de recompensa e punição conhecido como condicionamento operante, é um dos três principais tipos de aprendizado. É possível que as novas interfaces aproveitem essa modalidade de aprendizado para nos ajudar a desenvolver hábitos mais saudáveis ​​e a tomar melhores decisões.

“É cada vez mais difícil saber onde eu termino e onde o computador começa”, afirma o historiador, professor e autor de best-sellers do New York Times Yuval Noah Harari em seu discurso no festival Fast Company European Innovation.

“No futuro, é provável que o seu smartphone não seja separado de você. Provavelmente estará incorporado ao seu corpo ou cérebro, analisando constantemente seus dados biométricos e suas emoções.”

Realmente me pergunto se o google possui às respostas para algumas perguntas pessoais, dependemos tanto do celular que talvez ele nos conheça mais do que nós mesmos. A Internet não está somente mudando o mundo, está também mudando os nossos cérebros.

 

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About the Author

About the Author: É neurocientista, dona da Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com), professora de Yoga, Dj, blogger e vlogger. Já foi dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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