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Por que sentimos boas e más vibrações?

By on August 3, 2019 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

No meu trabalho como dj, sempre foi essencial “sentir a vibração” das pessoas. Para ser um bom Dj você precisa entender o que as pessoas querem ouvir e ainda assim não sair da sua essência artística. É um trabalho muito minucioso onde todos os mínimos detalhes são importantes. Por isso, procuro sempre prestar atenção em cada detalhe quando estou em algum lugar.

Muitas vezes guardo às impressões que tenho para mim mesma, não é sempre que se pode falar para alguém: “Olha, tua casa tem uma energia muito ruim.”, e, mesmo quando se tem uma impressão “boa” do local, dificilmente às pessoas entenderão o sentido daquilo, mesmo quando elas também o sentem.

Os neurocientistas geralmente são céticos quanto à conexões sobrenaturais com nossos sentimentos e percepções. No entanto, indiferente da sua visão espiritual ou filosófica, sentir a “vibração” de um lugar ou de uma situação é uma experiência humana comum.  Um lugar pode simplesmente “não ter uma energia boa” ou, as pessoas em uma determinada sala podem ter uma “vibração do bem”.

Estudos holandeses recentes oferecem evidências mais convincentes sobre o por quê de poder captar boas e más vibrações. A teoria para explicar esse fenômeno, diz que temos essas sensações devido à estranhas expressões faciais, tons vocais e “sinais químicos” que captamos de outras pessoas subconscientemente. 

Nós, seres humanos, somos criaturas sociais e, naturalmente, nos beneficiamos com a sinalização emocional. Na idade da pedra, quando uma pessoa mostrava medo por notar um predador se aproximando, por exemplo, outros membros do grupo percebiam esse estado emocional com rapidez suficiente para poder reagir ou se defender.

Perceber o medo sentido pelos outros é conhecido como “aquisição sensorial”. Estudos demonstram que fazer uma expressão de medo nos faz respirar mais pelo nariz, o que aumenta nossa percepção e acelera os movimentos dos olhos para que possamos localizar perigos potenciais mais facilmente.

Segundo os pesquisadores, os seres humanos podem detectar “sinais químicos” através do cheiro de excreções do corpo, como por exemplo o suor ou lágrimas das pessoas que estiveram num lugar mesmo depois que elas foram embora, esses “sinais químicos” permanecem no local.

Muitos outros mamíferos transmitem sinais químicos, os gatos, por exemplo, esfregam as bochechas ou urinam para marcar seu território.

A sinalização emocional nos ajuda a entender um ao outro e a nos comunicar de maneira rápida e eficaz, o que é extremamente necessário quando se está lidando com dificuldades no meio ambiente. 

Jasper H. de Groot e seus colegas da Universidade de Utrecht, na Holanda, trabalham há anos para determinar se os “sinais químicos” são trocados entre os seres humanos e, em caso afirmativo, como esse processo funciona.

Em um estudo inovador de 2012, eles fizeram com que os homens assistissem a um vídeo assustador ou repugnante enquanto usavam uma determinada camiseta. Cada participante aderiu a um protocolo rigoroso para não mascarar o cheiro do próprio corpo enquanto o usava. Após a visualização, essas camisetas foram coletadas e dadas às mulheres para cheirar.

Os pesquisadores descobriram que aqueles que receberam as camisetas com o “suor de medo” mostraram expressões de medo e aqueles que receberam camisetas de “repugnância” mostraram expressões de nojo.

Em um estudo de 2015, de Groot e seus colegas demonstraram que emoções positivas poderiam também podem ser transmitidas da mesma maneira (referências abaixo). 

Nesse sentido, pode ser, de fato, que seja possível perceber se um lugar tem “boas vibrações” ou não. É importante notar que este é um novo campo de pesquisa e ainda há muitas incógnitas. 

Ainda assim, a teoria é uma forte hipótese do por quê sentimos “vibrações” de lugares e pessoas e, pesquisadores holandeses nos forneceram as primeiras evidências para o que, até agora, tem sido relegado em grande parte ao reino do sobrenatural.

Referências:

 
 

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About the Author

About the Author: É neurocientista, idealizadora da Círculo Produções, professora de Yoga, Dj de Techno e blogger. Já foi dona de loja, garçonete, manager de artista, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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