Music. Ideas. Awareness

A Ciência do Altruísmo.

By on August 2, 2019 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

Quando criança achava que todo mundo era sensível como eu. Para mim era tão normal sentir as coisas de forma profunda que nem sequer entrava na minha cabeça que poderiam existir pessoas diferentes.

Não demorou muito para que eu pudesse perceber que existem sim pessoas com zero sensibilidade, aliás; não demorou muito para perceber que essa é a tendência da grande maioria.

E até aqui, tudo bem. Na natureza, não existe certo ou errado, existem tendências, diferenças cerebrais e adaptações. Reside no senso comum a idéia de que, na cultura em que vivemos, uma pessoa menos sensível pode obter mais conquistas materiais e lidar melhor com as outras pessoas.

É certo que existem vários níveis de sensibilidade, num nível extremo desse espectro, uma pessoa com ausência total de sensibilidade é considerada psicopata (explicarei melhor em outro texto, mas clique aqui para saber mais), existem até livros que ensinam a uma pessoa ser “psicopata” para poder obter mais conquistas (A Sabedoria dos Psicopatas, Kevin Dutton; As 48 Leis do Poder, Robert Greene; dentre outros); por outro lado, uma pessoa mais sensível pode ter um entendimento melhor de um acontecimento e resolvê-lo de uma forma em que não haja prejuízo para nenhum lado. 

A ciência demonstra que todo resultado psicológico é influenciado por diferenças genéticas, pelo ambiente e pelas experiências.

Para poder entender melhor essas diferenças alguns cientistas como Abigail Marsh, autora do livro The Fear Factor, estudaram o cérebro de pessoas altruístas (estudaram pessoas que doaram um rim a um desconhecido). Muitos estudos (ver referência no fim do texto) indicam que as pessoas psicopatas possuem uma disfunção da amígdala (a amígdala faz parte do sistema límbico do cérebro e é responsável por reconhecer o medo, leia mais aqui) portanto não possuem capacidade de gerar uma resposta ao medo e tampouco de identificar o medo de outras pessoas. Eles realmente não podem ter empatia com isso.

 Já o cérebro de pessoas altruístas é o oposto, suas amígdalas são maiores e mais responsivas. Pessoas que são altamente altruístas são realmente boas em reconhecer o medo de outras pessoas e isso pode ser uma das razões pelas quais elas estão motivadas para ajudar.

Talvez isso explique um pouco, mas a real é que não é fácil lidar com a sensibilidade num mundo que te pede o oposto o tempo inteiro.

Foram tantas as vezes que me culpei e me odiei por ser assim que ficaria impossível listar. Um dia resolvi parar de lutar contra e decidi me entregar a ela.

Vivenciar todas essas emoções me fez entender que elas não são tão diferentes do pensamento racional, apenas possuem uma textura diferente. É maravilhoso conseguir sentir uma música bela no fundo do seu ser, também é maravilhoso sentir dor ao ver uma árvore caída no meio da rua. Isso quer dizer que posso fazer algo a respeito, quer dizer que tenho um entendimento maior, profundo, primitivo.

Essa busca pelo entendimento me fez ir atrás das respostas, me fez agir e engajar em projetos que podem ajudar, me fez perdoar muitos que me machucaram, não por serem maus por natureza, mas por não terem o entendimento do que é magoar o outro.

O auto-conhecimento, o entendimento é uma busca constante. Hoje entendo algo, amanhã me dou conta que estava errada, pois descobri algo novo. A busca pelas respostas nunca deve parar. É por isso que amo a ciência, e cada vez que olho pro céu e entendo que sou o universo com consciência dele mesmo (Carl Sagan) sinto um êxtase dentro de mim inexplicável e é nesse momento que sou grata por toda sensibilidade que sinto.

Referências:

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About the Author

About the Author: É neurocientista, idealizadora da Círculo Produções, professora de Yoga, Dj de Techno e blogger. Já foi dona de loja, garçonete, manager de artista, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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