Music. Ideas. Awareness

O momento Ah-ha!

By on November 16, 2017 in Neuromundo with 0 Comments

Conta-se que Arquimedes, quando descobriu o princípio da flutuabilidade quando estava no banho, esqueceu que estava nu e saiu correndo para a rua, gritando jubiloso: “Eureka, eureca” (achei, achei). Esse é o exemplo mais famoso da experiência Ah-ha. Mas, o que é a experiência Ah-ha e como ela pode ser explicada?

A experiência do Ah ha é o famoso insight e não se refere à criação final em si, o insight é aquela idéia que nos ilumina, aquela percepção súbita que precede tantas descobertas.

Os insights rearranjam de forma correta e fulminante as peças do quebra-cabeça, de modo a ensejar a boa configuração. De súbito, o nó se desfaz, cai a ficha, surge uma luz e a solução parece tão óbvia que nos espantamos de não ter chegado a ela muito antes.

Uma série de estudos usaram eletroencefalografia (EEG) e ressonância magnética funcional (IRMf) para estudar os correlatos neurais dos momentos “Ah-ha! ” e seus antecedentes. Embora a experiência da percepção seja repentina e possa parecer desconectada do pensamento imediatamente anterior, esses estudos mostram que a percepção é o ponto culminante de uma série de estados e processos do cérebro operando em diferentes escalas de tempo.

É como um quebra cabeça em que você já tem todas as peças mas não sabe muito bem como uni-las e de repente, tudo parece se encaixar perfeitamente.

Para Steven Johnson, autor de “De onde vem as boas idéias “, esses momentos são realmente um resultado relativamente previsível que decorre de certas condições prévias. Primeiro, Johnson escreve: uma boa idéia é essencialmente uma “rede de células que exploram o adjacente possível de conexões que eles podem fazer em sua mente”. Nosso cérebro abriga cerca de 100 bilhões de neurônios, com um neurônio médio conectando-se a mil outros neurônios espalhados por o cérebro, totalizando 100 trilhões de conexões neuronais distintas. No entanto, uma vez que perdemos progressivamente os neurônios após atingir a idade adulta, é fundamental manter o nosso cérebro ativo para manter a rede densamente povoada. Mais ainda, é a miríade de conexões elaboradas e montagens que esses neurônios se formam um com o outro que criam idéias e epifanias. Assim, para aumentar a percepção criativa, precisamos aumentar as novas conexões de rede.

Já vivi muitos momentos Ah-ha e confesso que me trouxeram muita felicidade e contentamento, alguns amigos músicos relatam que suas melhores obras vieram através de um insight. Acredito que para se ter mais insights, é essencial primeiramente buscar conhecimento, e, as vezes mudar o foco daquilo que se está pensando. Já tive muitos insights meditando, uma grande ironia não? Ao parar de pensar que me veio a idéia de escrever sobre a criatividade. É necessário ampliar a noção do que seria o ponto crucial para que novas posibilidades se apresentem mas nunca se esquecer de que o insight é produzido por processos inconscientes.

 

 

Referências:

Goswami, Amit; Reed, Richard E.; Goswami, Maggie. O Universo Autoconsciente: Como a Consciência cria o mundo material. TRadução Ruy Jungmann. 2 ed. São Paulo. Aleph, 2008.

Callegaro, Marco Montarroyos. O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre. Artmed. 2001.

– SCIENTIFIC AMERICAN MIND. SPECIAL EDITION. SPRING 2017

– Biblioteca Mente e Cérebro: A descoberta da criatividade. 1.ed. São Paulo. Duetto Editorial. 2013.

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É blogger, vlogger, neurocientista e Dj de Techno. Já foi dona de loja, garçonete, manager de Djs, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, ser do contra e escrever.

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