Music. Ideas. Awareness

A ciência do processo criativo.

By on November 12, 2017 in Neuromundo with 0 Comments

Já escrevi aqui no blog sobre o que é a criatividade e onde está “localizada” no cérebro, mas, e quanto ao pensamento criativo? Como funciona? Existe um processo criativo? É possível aprender a criar?

Na ciência, o processo científico se baseia em primeiro tornar-se sensível a um determinado problema, elaborar uma pergunta a partir dele, definir um objetivo e uma hipótese, testar essa hipótese, analisar o resultado, discutir o resultado e finalmente, concluir (na maior parte das vezes a discussão e a conclusão levam à mais perguntas do que respostas rsss).

No mundo das artes a questão já muda de figura, lembro bem das minhas aulas na faculdade de moda onde tudo era baseado em um tema e era necessário muita pesquisa para criar um look ou um ensaio de fotos, por exemplo. Meu trabalho final na graduação foi elaborado através de uma pesquisa

extensa, que durou um ano onde abordei até temas da psicologia como a bipolaridade (será que a neurociência já estava querendo aparecer ai?).

É possível cultivar processos mentais como por exemplo a capacidade de tomada de decisão, desenvolvimento da linguagem e a memória para ajudar a exercitar e expandir a criatividade, porém o mais importante no processo criativo é sair da zona de conforto.

Nosso cérebro está sempre em busca da certeza, da estabilidade, nossas ações são realizadas com o objetivo de reduzir a incerteza nas nossas vidas; porém a base da criatividade está em o não saber, em se fazer a pergunta, Por que? O que? Onde? Como?

A base do novo está na incerteza, a incerteza nos faz buscar e é a busca que nos faz criar.

Saber quando se está na zona de conforto e aprender a sair dela é a base do novo, para muitos artistas isso se torna até um hábito. Para o músico e compositor Thiago Juliani a fagulha criativa surge em momentos distintos, está ligada a uma conexão direta com seus sentimentos e não tem hora pra acontecer. Existem sim ciclos de criatividade, num mês, por exemplo, onde ele pode ter um ciclo criativo de uma semana. Porém, o artista está sempre compondo, seja uma frase no violão ou num esboço de uma letra.

Para o amigo e escritor, Eduardo Gonçalves Amorim, é uma somatória de coleta e informações aleatórias que fazem parte de um todo e que se juntam e formam uma idéia quando necessário.

Reconhece-se de modo geral que há pelo menos três estágios distintos no processo criativo. O primeiro é o estágio de preparação, de coleta de informações. O segundo é o grande estágio do processo criativo; a germinação e comunicação da idéia criativa. O terceiro e final estágio é o da manifestação, no qual uma forma é dada a idéia criativa. Eu, particularmente, não concordo que o processo criativo funcione de forma tão ordenada. Acredito sim que há um processo, mas que ele acontece mais intrinsicamente e varia de pessoa para pessoa.

A experiência é essencial na criação de uma idéia, tudo aquilo que vivemos é importante na hora de criar, mas também é importante duvidar daquilo que já se sabe e sair das suas crenças pois, às vezes é dali que surge aquela idéia que muda tudo.

Quando abandonamos regras ou desfocamos a atenção, tendemos a ter mais inspiração pois, nesse momento temos um menor “controle” cognitivo e ficamos sem restrições de pensamentos e comportamentos. Para saltar em direção ao novo e tirar proveito do potencial criativo é necessário não ter medo de arriscar.

As dicas que cito abaixo são beseadas em estudos neurocientíficos e prometem ajudar no processo criativo:

    • Conhecimento é a base para tudo nessa vida, ir a fundo no tema em que se deseja criar é o primeiro passo para uma boa idéia.
    • Pesquisar o que já existe ou o que já foi feito por outras pessoas pode trazer novas soluções e idéias para melhorar algo que já existe.
    • Empatia é essencial, conhecer e entender aquele que se quer atingir é muito importante no processo criativo. Para saber mais sobre empatia, leia aqui ou veja aqui.
    • Sair da sua zona de conforto e não ter medo de arriscar é uma característica presente em todos aqueles que inovam na arte, na ciência e no mundo dos negócios.
    • Ter um local para criar é muito bom.
    • Discutir suas idéias com pessoas de fora e ver um ponto de vista diferente do seu pode ser o que falta para se ter aquela idéia genial.
    • Fazer algo diferente como sair para caminhar, se divertir, tirar uma soneca ou ocupar a mente com outra coisa diferente do tema em que se está tentando criar, pode trazer a solução para o seu problema ou aquela idéia tão esperada. Entenda mais sobre o assunto aqui.

 

 

Referências:

Goswami, Amit; Reed, Richard E.; Goswami, Maggie. O Universo Autoconsciente: Como a Consciência cria o mundo material. TRadução Ruy Jungmann. 2 ed. São Paulo. Aleph, 2008.

Callegaro, Marco Montarroyos. O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre. Artmed. 2001.

– SCIENTIFIC AMERICAN MIND. SPECIAL EDITION. SPRING 2017

– Biblioteca Mente e Cérebro: A descoberta da criatividade. 1.ed. São Paulo. Duetto Editorial. 2013.

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É blogger, vlogger, neurocientista e Dj de Techno. Já foi dona de loja, garçonete, manager de Djs, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, ser do contra e escrever.

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