A música e a emoção – A força do som nas emoções.

By on March 13, 2017 in MusicaMente with 0 Comments

Aparentemente, prestamos mais atenção em uma emoção (como felicidade, tristeza ou raiva) quando ela é expressada através de vocalizações do que quando a mesma é expressada pela fala.

Emoções transmitidas através de sons são entendidas de forma mais clara e rápida pelo cérebro. O cérebro, preferencialmente usa sistemas e estruturas mais primitivos para processar emoções expressadas através de vocalizações.

De acordo com pesquisadores da Unversidade McGill, leva apenas um décimo de segundo para que nossos cérebros comecem a reconhecer emoções transmitidas pelas vocalizações. Não importa se os sons são não-verbais como grunhidos de raiva, risos de felicidade ou gritos de tristeza.

A velocidade com que o cérebro “marca” essas vocalizações e a preferência dada a eles em comparação com a linguagem, é devido ao papel potencialmente crucial que a decodificação dos sons vocais tem desempenhado na sobrevivência humana.

“A identificação de vocalizações emocionais depende de sistemas no cérebro que são mais primitivos em termos evolutivos”, diz Marc Pell, Diretor da Escola de Ciências e Distúrbios da Comunicação da McGill e principal autor do estudo que foi recentemente publicado na Biological Psychology. “Compreender as emoções expressas na linguagem falada, por outro lado, envolve sistemas cerebrais mais recentes que evoluíram à medida que a linguagem humana se desenvolveu”.

Fala sem sentido e grunhidos

Os pesquisadores estavam interessados em descobrir se o cérebro respondia de forma diferente quando as emoções eram expressas através de vocalizações (sons como grunhidos, risos ou soluços, onde não são usadas palavras) ou através da linguagem. Eles se concentraram em três emoções básicas: raiva, tristeza e felicidade e testaram 24 participantes ao reproduzir uma mistura aleatória de vocalizações e discurso sem sentido. Eles pediram aos participantes que identificassem quais emoções os oradores estavam tentando transmitir e usaram um EEG para registrar o quão rápido e de que forma o cérebro respondia quando os participantes ouviram os diferentes tipos de sons vocais emocionais.

Eles foram capazes de medir:

  • como o cérebro respondia a emoções expressadas através de vocalizações em relação à linguagem falada com precisão de milissegundos;
  • se certas emoções eram reconhecidas mais rapidamente através de vocalizações do que outras e se produziam maiores respostas cerebrais;
  • se pessoas mais ansiosas eram particularmente sensíveis a vozes emocionais baseadas na potência da sua resposta cerebral.

A raiva deixa vestígios mais longos – especialmente para aqueles que estão ansiosos

Os participantes foram capazes de detectar vocalizações de felicidade (ou seja, risos) mais rapidamente do que sons vocais transmitindo raiva ou tristeza.
Curiosamente, os sons que transmitiam raiva e o discurso de pessoas com raiva produziram uma atividade cerebral contínua que durou mais do que em relação a atividade cerebral registrada com as outras emoções, sugerindo que o cérebro presta uma atenção especial aos sinais de raiva.
“Nossos dados sugerem que os ouvintes se engajam em monitoramento contínuo de vozes irritadas, independentemente da forma que eles tomam, para entender o significado de eventos potencialmente ameaçadores”, diz Pell.
Os pesquisadores também descobriram que os indivíduos mais ansiosos têm uma resposta mais rápida e mais intensa às vozes emocionais em geral do que as pessoas que estão menos ansiosas.
“As vocalizações parecem ter a vantagem de transmitir um significado de forma mais imediata do que a fala”, diz Pell. “Nossos resultados são consistentes com estudos de primatas não-humanos “.

O som diz muito mais que palavras!

Referências:

1. M.D. Pell, K. Rothermich, P. Liu, S. Paulmann, S. Sethi, S. Rigoulot. Preferential decoding of emotion from human non-linguistic vocalizations versus speech prosody. Biological Psychology, 2015; 111: 14 DOI: 10.1016/j.biopsycho.2015.08.008

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About the Author

About the Author: É idealizadora da Círculo Produções, blogger, produtora musical, manager de djs, musicoterapeuta organizacional e estudante de neurociência. Multitask ou melhor multiloca, já foi dona de loja, garçonete, Dj, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama o cérebro, teorias de conspiração, ser do contra e escrever. .

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