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Decisão – Quem tem medo do futuro?

By on October 20, 2014 in Neuromundo with 2 Comments

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Algumas decisões fazem tanto parte de nós que nem percebemos que as estamos tomando: decidir escovar os dentes depois do almoço, tomar café da manhã ao acordar ou levar um bom livro naquela viagem. Outras, nem tanto: Que roupa ir na reunião de negócios? Fazer aquela viagem ou guardar o dinheiro para alguma emergência? Consertar o carro ou comprar um novo?

A realidade é que sempre estamos tomando decisões, a maioria delas fazemos inconscientemente. Imagina se toda vez que fôssemos andar tivéssemos que decidir com qual pé iniciar a caminhada?
Se estamos decidindo todo o tempo, porque algumas decisões são tão mais difíceis e desafiadoras do que outras?

A verdade é que uma gama de fatores molda e embasa nossas opções: tendências inatas, emoções, expectativas, equívocos, características de personalidade, aspectos culturais e conteúdos inconscientes. Ás vezes, a tomada de decisão pode parecer inconsistente ou perversa, e o mais intrigante talvez, seja o quão frequentemente forças aparentemente irracionais nos ajudam a fazer a opção certa, se é que ela existe.

55-41Na neurociência a tomada de decisão é uma função desempenhada pelo córtex pré-frontal e o cingulado anterior. Existem três circuitos principais no córtex pré-frontal e aquela responsável pela tomada de decisão, além de uma série de funções como planejamento, monitoramento, solução de problemas, memória operacional, estabelecimento de metas, julgamento e foco atencional é o circuito dorsolateral.

A tomada de decisão condensa experiências de aprendizagem de tentativa e erro em uma avaliação mental instantânea sobre qual será a consequência de uma ação especial em uma determinada situação. Ela requer uma integração on-line de informações de diversas fontes: informação perceptual sobre o estímulo e a situação , fatos relevantes e experiências armazenadas na memória, feedback de sistemas emocionais, consequências fisiológicas de excitações emocionais e expectativas sobre as consequências quanto aos diferentes caminhos da ação.

Alguns autores porém argumentam que a tomada de decisão é na verdade somente neurônios realizando cálculos matemáticos que nós chamamos de decisões.

As decisões não dependem somente das nossas sinapses, mas também dos estímulos que recebemos do ambiente, há inclusive uma área especializada em manipular tomadas de decisões chamada Marketing.

1413229255-2-hack-formula-success-better-decision-makingSomente para citar um exemplo, o Dr. Adrian North fez um estudo no qual distribuiu oito variedades de vinhos nas gôndolas de um supermercado na Inglaterra, metade deles frances e a outra metade Alemã. Em dias alternados, colocou música francesa ou alemã de fundo. A análise das escolhas dos consumidores revelou que nos dias da música francesa, 77% das garrafas compradas eram da mesma nacionalidade, já quando o som era alemão, as marcas da bebida do país dominavam 73% das opções.

A questão aqui é, quando é que estamos realmente decidindo algo? Melhor deixar para o próximo post.

Algumas situações em nossa vida não podemos decidir. Todos nós sabemos por exemplo que vamos morrer. Desafortunadamente, não nos cabe decidir como nem quando. Mas, podemos decidir como vamos viver.
É essa a vida que você quer viver? Essa é a pessoa que você quer amar? Esse é o trabalho que você ama? Isso é o melhor que você pode ser? Você quer mudar? Você pode ser mais forte? Mais gentil? Mais compassivo?

Respire fundo e decida.

 

Referências:

-Ledoux, Joseph E. Synaptic Self: How our brains become who we are. Penguin Books Inc. 2002.
-O Segredo da Decisão. Mente e Cérebro. Edição especial n 35.

 

 

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É blogger, vlogger, neurocientista e Dj de Techno. Já foi dona de loja, garçonete, manager de Djs, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, produtora de eventos, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama música, o cérebro, ser do contra e escrever.

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  1. Livre Arbítrio existe? : MVERZARO | July 26, 2017
  1. eduardo says:

    uma reflexão muito bem exposta, otimo texto..

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