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A Neurociência da Vingança

By on March 4, 2020 in Neuromundo with 0 Comments

Acredito que todos somos bons e maus dependendo da situação. Não acredito que existem pessoas somente boas ou somente más e, através dos meus estudos e também da minha própria experiência, posso observar que existe um espectro entre a bondade e a maldade e cada um de nós permeia nesse espectro no decorrer de suas vidas.

Ás vezes somos mais maus, ás vezes mais bons. Sim, percebo que há pessoas mais más do que boas e vice-versa, mas também percebo que mesmo pessoas consideradas muito más, como um serial killer por exemplo, não só são capazes, como realizam algum ato de bondade em algum momento.

Independente de sermos bons ou maus e, sem entrar em questões mais profundas como o ego, id, traumas e afins. Todos, em algum momento, já pensamos em nos vingar de alguém. Seja a companhia telefônica, seja o vizinho que está em reforma ou alguém que realmente nos prejudicou. O fato é que esse sentimento muito provavelmente permeia nossas vidas em algum momento. Mas, o que será que a neurociência fala sobre a vingança?

Estudos recentes relatam que a oxitocina; sim, a oxitocina, aquele hormônio lá do amor, é mais disparada no cérebro durante conflitos entre grupos e influencia a parte pré-frontal do córtex, associada a tomada de decisão, gerando sentimentos de companheirismo dentro do grupo, mas ações vingativas em relação ao grupo rival.

Como é de se esperar, o aumento de oxitocina leva a uma maior empatia e companheirismo, porém, aí vem a pegadinha. Realmente, a oxitocina facilita a formação de um vínculo entre mãe e o filho, a monogamia entre parceiros, é responsável pela diminuição da ansiedade, do estresse e também gera um aumento de confiabilidade e a generosidade entre pessoas; porém sempre quando é dentro do mesmo grupo.

Ao lidar com outros grupos, o aumento desse hormônio causa etnocentrismo e até mesmo xenofobia. Pois é, parece que nosso hormônio do amor não é tão amoroso assim.

E é exatamente por esse motivo que muitas vezes na vida “tomamos as dores” daqueles que amamos ou daquela causa que acreditamos mesmo sem nunca haver estado em conflito com o outro grupo, pessoa ou causa em questão.

A ciência e também nossas vidas dependem muito de um contexto. Um policial que atira em um bandido é bom, mas ele também está assassinando alguém e, assassinar alguém é ruim. Temos ferramentas maravilhosas que nos ajudam a entender melhor nossos comportamentos e isso é essencial para buscar soluções que nos façam evoluir, crescer e até mesmo combater comportamentos que nos prejudicam. Porém, é necessário entender que a ciência nunca deve andar sozinha.

Somos uma combinação de fatores culturais, genéticos e ambientais e nosso cérebro é extremamente complexo, por isso que fico feliz com estudos como esse pois, nem tudo é claro como cristal, mas cada dia conseguimos, graças a ciência, compreender melhor os porquês de nossas ações.

Referências:
“A neurobiological association of revenge propensity during intergroup conflict”. Xiaochun Han, Michele J Gelfand, Bing Wu, Ting Zhang, Wenxin Li, Tianyu Gao, Chenyu Pang, Taoyu Wu, Yuqing Zhou, Shuai Zhou, Xinhuai Wu Is a corresponding author, Shihui Han.
eLife doi:10.7554/eLife.52014.

Behave – The Biology of Humans at Our Best and Worst. Sapolsky, M. Robert. Behave Penguin Books. 2017.

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, blogger, vlogger e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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