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A Ciência do Natal!

By on December 23, 2020 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

Nunca fui muito fã de natal, e mesmo tendo algumas lembranças natalinas memoráveis da minha infância, grande parte dos natais que vivi na vida adulta foram trabalhando. Quem trabalha com eventos sabe que essa é uma época em que se trabalha muito. Porém, sei que para muitos de nós, é a época mais maravilhosa e importante do ano.

Independente de gostar de natal ou não, quando ouvimos sinos tocando ou quando vemos uma bela decoração de natal, sentimos uma sensação de alegria, calor e nostalgia Esse é o famoso Espírito de Natal que sentimos nessa época do ano. Mas, qual é a ciência por trás disso?

Muitos cientistas costumavam pensar que as emoções eram reações pré-programadas e praticamente embutidas no cérebro humano. De acordo com a teoria mais tradicional, quando você vê anúncios de Natal na TV, uma parte do seu cérebro (uma espécie de “circuito da felicidade”) entra em ação e desperta seu “espírito natalino”.

A teoria era de que esse circuito fosse uma única parte do cérebro, responsável por fazer com que a pessoa sentisse um calor no peito, batimentos do coração mais rápidos e assim, formasse uma expressão de felicidade no seu rosto, uma expressão considerada universal entre as pessoas e culturas.

De acordo com a visão mais tradicional, os seres humanos possuem um pequeno conjunto de emoções essenciais, como medo e felicidade. Cada uma dessas emoções tem sua própria região cerebral dedicada, que cria mudanças na fisiologia e no comportamento; mudanças essas que são semelhantes (senão iguais) em diferentes instâncias da mesma emoção. Por exemplo, pensava-se que a felicidade que se sente ao ver um filhote de cachorro ativasse os mesmos sistemas neurais e fisiológicos do que a felicidade que se sente quando se passa um tempo com amigos. Essa visão tradicional parecia ser mais intuitiva. Porém, nos 100 anos que a ciência tem estudado a emoção, os cientistas nunca foram capazes de encontrar um circuito de felicidade específico ou um circuito relacionado a qualquer emoção.

Contudo, um estudo realizado na Universidade da Dinamarca em 2015 parece ter localizado no cérebro o famoso “Espírito Natalino”. O estudo analisou vinte pessoas que tiveram que ver imagens com o tema natalino e não natalino.

Quando os participantes viam fotos de imagens com o tema natalino, como tortas e afins, uma rede de regiões cerebrais se iluminou. Uma teoria era de que essa rede no cérebro poderia também estar relacionada a memórias e a espiritualidade.

A visão mais contemporânea diz que as emoções são uma experiência vinda de três fontes de informações cerebrais somadas para criar uma experiência sob demanda. O cérebro combina informações sobre seu estado fisiológico, ambiente e experiências pessoais para formar um sentimento subjetivo dentro de você.

De acordo com essa visão, quando você vê anúncios de Natal na TV, por exemplo você se sente bem porque associa coisas boas ao Natal, seu coração bate mais rápido porque uma parte de você reconhece a emoção que o anúncio evocou em você quando criança e você expressa o sentimento fisicamente, geralmente por meio de expressões faciais.

Tudo esse processo culmina como um sentimento. Um sentimento que rotulamos e categorizamos como uma emoção. Ao longo de nossas vidas, aprendemos a rotular categorias de emoções. É por esse rótulo que usamos a mesma palavra para descrever o terror sentido ao se aproximar de uma montanha-russa e o terror associado ao de estar em um acidente de carro, apesar do fato de que essas experiências parecem completamente diferentes.

Como o cérebro constrói uma emoção usando uma ampla gama de regiões cerebrais, não há uma assinatura neural ou processo fisiológico que possa realmente registrar ou medir a experiência. Muitas partes diferentes do cérebro trabalham juntas para criar uma emoção, e isso depende muito do que está acontecendo ao seu redor e dentro de você. É por isso que cada experiência de uma emoção – até a mesma emoção – parecerá diferente em um scanner de ressonância e também para aquele que a está vivenciando.

Quando se trata de emoções, a ativação do cérebro não é previsível porque cada emoção é formada a partir de informações e contextos diferentes e imprevisíveis.

Independentemente de você tender a sentir mais alegria no Natal ou simplesmente odiá-lo, a cada momento em que você está acordado, seu cérebro está construindo sua realidade emocional e você tem o poder de aumentar sua alegria ou de banir esses sentimentos. Esse fenômeno é conhecido como previsão e, na verdade, é apenas um jogo de números. Em vez de reagir ao mundo, seu cérebro está executando um modelo interno construído em torno de padrões de suas experiências anteriores. Quanto mais exemplos seu cérebro tiver de uma experiência positiva relacionada ao Natal, mais fácil será para ele construir uma celebração natalina sob demanda no futuro.

Então, se você quiser entrar no espírito natalino, passe um tempo fazendo atividades festivas que goste, compartilhe suas experiências com as pessoas que você ama e faça todos os rituais que fizerem sentido para você. Se a ciência pode lhe dar alguma coisa este ano, deixe-a lhe dar o presente da alegria do Natal. Boas festas!

Referências:

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, Influenciadora Digital e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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