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A ciência do egoísmo.

By on November 3, 2020 in Ciência do Dia a Dia with 0 Comments

A pandemia taí pra demonstrar, nossa população morrendo e muitos vivendo em isolamento, numa espera ansiosa sem fim. Ninguém pode negar que está sendo também um grande teste de caráter. Um teste que, em geral, parecemos estar falhando. Por que será que tantas pessoas parecem ser tão egoístas hoje em dia, colocando suas necessidades em primeiro lugar?

Pessoas brigam umas das outras por causa do uso de máscaras, racismo, violência e discurso de ódio. Um sentimento que vêm de todos os lados do espectro político. Mas, de onde vem esse comportamento egoísta, exacerbado por uma série de crises?

Bom, até certo ponto, é natural ser egocêntrico. Afinal, o que mais sabemos? Estamos no centro do nosso próprio mundo, sempre procurando fortalecer o ego. Thomas Hobbes, filósofo inglês argumentou que o interesse próprio é a motivação humana mais fundamental, mas agir por interesse próprio não é necessariamente a única coisa em nossas mentes.

Uma pesquisa mostrou que o comportamento humano pode ser tanto motivado pelo altruísmo, quanto por considerações morais. Então, qual seria a medida em que o auto-cuidado saudável e a quantidade certa de amor-próprio se transformariam em egoísmo?

Alguns psicólogos, como F. ​​Diane Barth, definem o egoísmo como tendo dois pilares principais: “Preocupar-se excessivamente ou exclusivamente consigo mesmo” e “Não ter consideração pelas necessidades ou sentimentos dos outros”. Claro, a maioria de nós provavelmente vive em algum lugar em uma escala de momentos de altruísmo para egoísmo. Ainda assim, na consciência pública, ser egoísta está erroneamente associado a se tornar mais bem-sucedido, mesmo que os fatos não necessariamente confirmem isso.

Um estudo de 2020 publicado no Journal of Personality and Social Psychology procurou descobrir se pessoas que priorizam o comportamento mais auto-orientado se saíram melhor na vida. A equipe liderada por Kimmo Eriksson, da Universidade de Estocolmo, comparou fatores como a renda anual e o número de filhos biológicos. Eles analisaram uma grande amostra de respostas de 5.294 americanos para o General Social Survey (GSS) de opinião pública entre 2002 e 2014, bem como as respostas europeias ao European Social Survey (ESS).

Os cientistas identificaram as pessoas mais egoístas por meio de suas respostas a várias perguntas da pesquisa. No geral, os pesquisadores descobriram que, na percepção do público, 68 por cento das pessoas acreditam que o egoísmo é uma característica comum daqueles que ganham mais dinheiro; porém, na realidade, pessoas com atitudes e comportamento mais altruísta tinham uma renda maior e mais filhos. Aparentemente, a generosidade compensa.

Além disso, uma pesquisa realizada em 2016/2017 por uma equipe liderada por Leonardo Christov-Moore da UCLA sugere que o comportamento altruísta pode ser a opção padrão em nossos cérebros. Eles descobriram uma área do córtex pré-frontal que, quando estimulada, pode tornar as pessoas menos generosas.

Portanto, se o altruísmo está enraizado no cérebro, por que algumas pessoas têm tanta dificuldade em cuidar das necessidades dos outros? A resposta pode estar na inteligência emocional, como apontou a psicóloga Lisa Marie Bobby em uma entrevista. “A inteligência emocional existe em um espectro, e alguns indivíduos são mais inteligentes do que outros”, ela compartilhou. “Um sintoma de baixa inteligência emocional é a tendência em ser egocêntrico, ou exclusivamente preocupado com o que você está pensando, sentindo, precisando e querendo, ao invés dos pensamentos, sentimentos, necessidades e desejos dos outros.”

Outro estudo de 2020 realizado por psicólogos e economistas de Yale da Universidade de Zurique descobriu que muitos acham difícil detectar o egoísmo em si mesmos e isso acontece pois pessoas mais egoístas fazem adaptações em suas memórias para evitar se sentir mal com seu comportamento egoísta. A pesquisa, publicada em 29 de abril na revista Nature Communications, revelou que as pessoas tendem a se lembrar de serem mais bondosas para os outros do que realmente foram.

Molly Crockett, professora assistente de psicologia na Universidade de Yale e uma das autoras do estudo explica: “Quando as pessoas se comportam de maneiras que ficam aquém de seus padrões pessoais, uma maneira de manter sua autoimagem moral é lembrando-se erroneamente de seus lapsos éticos”.

Avance alguns anos a partir de agora e certamente mais do que algumas pessoas se lembrarão de suas ações de hoje com uma inclinação muito diferente do que realmente aconteceu.

Obter uma melhor compreensão de um comportamento que não leva em conta nem considera o outro é responsabilidade pessoal de todos nós. A grande questão é: Onde termina uma certa liberdade em não usar uma máscara e começa o direito de outra pessoa à boa saúde? Em que ponto o seu direito de não ser infectado supera o direito de outra pessoa de buscar a prosperidade econômica? Quanto o meu direito de sobreviver depende da boa vontade e cooperação de outras pessoas? Responder a essas perguntas com sinceridade, sem se sentir atacado, pode conter a maré de egoísmo real e percebido que vai contra nossa melhor natureza e nos custa vidas e degradação social.

Fonte e referências:

. https://bigthink.com/personal-growth/why-is-everyone-so-selfish-science-explains?rebelltitem=1#rebelltitem1

. https://www.iep.utm.edu/hobmoral/

. https://www.livescience.com/53533-women-prefer-altruism-over-looks.html

. https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-couch/201602/what-s-the-best-way-deal-rude-and-selfish-people

. https://psycnet.apa.org/record/2018-47966-001

. https://psycnet.apa.org/record/2018-47966-001

. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26942832/

. https://www.oprahmag.com/life/relationships-love/a29416336/dealing-selfish-people/

. https://www.nature.com/articles/s41467-020-15602-4

. https://news.yale.edu/2020/04/29/memory-misfires-help-selfish-maintain-their-self-image

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About the Author

About the Author: É Neurocientista, Palestrante, Yoguini, Influenciadora Digital e Produtora de eventos na Círculo Produções (http://www.circuloproducoes.com). Já foi Dj, dona de loja, garçonete, assistente de cobrança, vendedora, professora de universidade, webdesigner, fotógrafa, especialista em logística de piloto e dona de Club. Ama a música, o cérebro, o universo, a ciência e escrever. .

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