Os direitos autorais da trilha sonora de obras audiovisuais

É célebre o caso ocorrido durante a produção da obra audiovisual “Um Barco e Nove Destinos” (1944), em que o diretor Alfred Hitchcock disse que não incluiria trilha sonora no filme, questionando-se de onde viria a música, já que os personagens estariam em um bote salva-vidas em alto-mar. Ao saber do comentário, o compositor David Raksin retrucou, pedindo a Hitchcock que lhe dissesse de onde vêm as câmeras, que ele diria de onde vem a música.

Esse caso bem revela a importância da trilha sonora, que vem abrilhantar a história do filme, as cores e as emoções nele expressadas, como um dos seus elementos principais, de modo que é raro um diretor optar por deixá-la de lado. A despeito de seu primeiro comentário, Hitchcock acabou por incluir música no filme mencionado.

Alfred Hitchcock – Um barco e 9 destinos

Assim como nas demais contribuições artístico-criativas envolvidas na produção de um filme, é imprescindível a cautela com relação aos direitos de autor decorrentes da trilha sonora, tanto nas trilhas originais, com músicas especialmente criadas para o filme, como naquelas que envolvem músicas preexistentes e/ou já gravadas. Independente de ser original ou não, o cronograma para a contratação de profissional especializado para a criação da trilha sonora deve estar em compasso com o cronograma geral de produção do filme, para que a atuação das demais equipes de produção não seja de qualquer forma obstada ou atrapalhada. Ademais, em ambos os casos, devem ser fornecidos ao criador da trilha sonora elementos para viabilizar seu trabalho, como o roteiro da obra e até mesmo cenas, para que possa captar a essência das emoções a serem transmitidas pela música.

Trataremos inicialmente das trilhas sonoras compostas de músicas preexistentes, já gravadas ou não. Em caso de músicas gravadas, tecnicamente chamadas “fonogramas”, existem três esferas de direitos autorais envolvidas, a saber: o direito autoral do compositor da música; o direito conexo de autor dos cantores e músicos (intérpretes e executantes); e direito conexo de autor do produtor fonográfico, isto é, da gravadora/selo que foi a responsável financeira pela gravação da música em suporte material. Para que tais fonogramas possam ser sincronizados no filme, faz-se necessário o trabalho de clearance, isto é, a identificação dos titulares de direitos autorais, com a posterior negociação para se obter a autorização para utilizar o fonograma no filme. Via de regra, os direitos autorais estão sob domínio de uma editora musical, ao passo que todos os direitos conexos estão com a produtora fonográfica. Assim, devem ser obtidas as autorizações desses titulares de direitos, contemplando todas as utilizações que se pretende dar no filme. Recomendamos que o trabalho de clearance seja iniciado com uma folga temporal considerável, pois tais procedimentos podem ser bastante demorados, de forma que se corre o risco de não ter todas as liberações de direitos autorais em mãos quando do momento da sincronização da trilha.
Com relação à trilha sonora original, cuidados maiores devem ser tomados, uma vez que caberá ao produtor a contratação de profissionais criativos e técnicos para a elaboração do conteúdo exclusivo para o filme. Por um lado, a trilha sonora poderá ser muito mais correlata com o roteiro e com as demais contribuições artísticas no âmbito do filme; por outro, o procedimento se torna mais complexo, pois a parte de produção fonográfica (fixação, masterização, mixagem e finalização) será contratada e custeada pelo produtor. Com relação à criação das músicas, é altamente recomendável que todos os profissionais envolvidos cedam seus direitos autorais (compositor, arranjador, regente) e/ou conexos de autor (músicos e cantores) no âmbito do contrato de prestação de serviços. Para a segurança de todos os envolvidos e para evitar qualquer sorte de desentendimentos, é melhor que esteja consignado que as criações podem ser utilizadas no todo ou em trechos e que fique claro que poderão ser solicitadas ao profissional-artista alterações para maior adaptação ao filme ou modificações a determinado critério do diretor, na qualidade de autor do conjunto de contribuições que é o filme. Tal contrato de cessão deverá contemplar todas as formas de utilização no filme, conforme já dito acima. Caso sejam utilizadas músicas preexistentes, mas que serão gravadas para o filme, deve ser observado o procedimento de clearance ora mencionado.

Por fim, destacamos que a preocupação com a trilha sonora não se finaliza com a liberação de direitos autorais e a sincronização do filme. Com a exibição do filme para o público em locais de freqüência coletiva mediante a cobrança ou não de ingressos, ocorre a “execução pública” das músicas da trilha (artigo 68, § 2º da Lei 9610/98 – Lei de Direitos Autorais). Por isso, o exibidor do filme deverá obter a prévia e expressa autorização do ECAD para exibir o filme, pagando-lhe ainda os direitos devidos pela execução pública. Em caso de cobrança de ingressos, o valor pago será de 2,5% sobre a renda bruta auferida com a exibição. Se não forem cobrados ingressos, normalmente será pago o valor de 2,70 UDA (Unidade de Direito Autoral, definida pelo ECAD e reajustada anualmente) para cada 10 m². Nesse último caso, o ECAD pode cobrar valores menores dependendo da natureza da exibição (beneficente, por exemplo).

Com as cautelas básicas mencionadas neste artigo, a produção de trilha sonora pode se tornar uma etapa mais artística e sensível, mitigando as preocupações que podem girar em torno da regulação de direitos e, posteriormente, da exibição do filme.

Autor: Fernanda Esperança, especializada em Direitos Autorais e Direito de Entretenimento do escritório Cesnik, Quintino & Salinas Adovgados.

A música é…

Música é o caminho para a felicidade!

A música é …

Música é antiguidade!!

A música é …

Música é alegria!!

A música e prematuros.

Música ajuda a crescer!

MUSICOTERAPIA » Estudo israelense mostra que, ao ouvir Mozart, prematuros ganharam peso mais rapidamente A música ajuda no desenvolvimento cerebral e, também, no auxílio do tratamento de diversas patologias. Uma boa dose de Mozart não faz bem só aos ouvidos, mas ajuda a normalizar o metabolismo de crianças prematuras. Depois de expor bebês (1) nascidos antes do tempo previsto a músicas do compositor austríaco do século 18, pesquisadores da Universidade de Telavive, em Israel, notaram que eles engordaram e se tornaram mais fortes do que o esperado.
Durante a pesquisa, os nenéns ouviam meia hora de música por dia. Depois da sessão terapêutica, os médicos Dror Mandel e Ronit Lubetzky mediam o gasto energético das crianças e comparavam à média de energia consumida quando estavam deitadas. Eles descobriram que, ao ouvirem o “concerto”, os bebês gastavam menos energia do que em repouso e, com isso, precisavam de uma quantidade menor de calorias para crescer rapidamente. Segundo Mandel, professor da Universidade de Telavive, ainda não está claro como a música afetou os pequenos pacientes, mas ficou evidente que eles se acalmavam graças às composições.

Por que Mozart e não outros compositores, como Beethoven, Bach ou Vivaldi? Mandel explica que isso ainda é um mistério e precisa ser estudado melhor pela ciência. Mas ele tem um palpite: “As melodias de Mozart são repetitivas e podem afetar os centros organizacionais do córtex cerebral”, disse ao Correio. Essa área, embora pequena, abriga mais de 20 mil neurônios e é responsável pelas funções cerebrais complexas, como a percepção dos sentidos, a resolução de problemas e a detecção das qualidades básicas do som, como o tom e a intensidade.

Os pesquisadores, porém, logo começarão a explorar outros tipos de música para verificar se provocam efeitos similares em bebês prematuros. Como o rap, por exemplo, também tem uma frequência repetitiva e pulsante, médicos da equipe de Mandel e Lubetzky acreditam que o estilo pode evocar respostas semelhantes. Em breve, eles esperam estudar que tipo de música as mães dos prematuros ouviam quando estavam grávidas. Os especialistas pretendem expor outras crianças nascidas antes da hora às mesmas melodias para verificar se há algum efeito. Segundo Mandel, a segunda fase do estudo vai incluir peças de música étnica, pop, rap e clássicos, como Bach e Beethoven.

“Os médicos estão conscientes de que a mudança ambiental pode criar um novo paradigma no tratamento de bebês que precisam do cuidado neonatal. Nosso principal objetivo é melhorar a qualidade de vida dessas crianças”, afirma Mandel. Segundo ele, o foco da pesquisa desenvolvida na Universidade de Telavive é quantificar os efeitos da musicoterapia para, então, criar um protocolo médico baseado na técnica.

Estimulação

Embora não sofram de nenhuma patologia, os primos Felipe, 5 meses, e Catarina, 1 ano e 7 meses, são frequentadores assíduos das oficinas de musicoterapia do Centro de Desenvolvimento Passo a Passo, em Brasília. Uma vez por semana, eles participam das sessões, com o objetivo de estimular o desenvolvimento. O psicólogo e musicoterapeuta Bruno Cesar Fortes explica que, até os 5 anos, as sinapses neuronais estão em formação e, se houver incentivos externos nessa fase, a potencialidade para algumas funções cognitivas serão mais ativadas.

Mãe de Catarina, a advogada Ana Paula do Nascimento conta que, desde que estava grávida, discutia com o marido as atividades de que a menina iria participar na primeira infância. “Acho que a musicoterapia ajudou a Catarina a ser uma criança mais segura. Ela encara mudanças com muita traquilidade e se adapta superfácil”, conta. “Meu marido não acreditava muito, mas, depois que começou a ver a desenvoltura da Catarina, nem precisei convencê-lo”, diz a enfermeira Juliana do Nascimento Simão, mãe de Felipe.

Na terceira sessão de musicoterapia, o bebê já interagia com Bruno, vocalizando alguns sons e batendo as mãozinhas no tambor. De acordo com o psicólogo, porém, não adianta apenas estimular o desenvolvimento cognitivo das crianças, se não for feito um trabalho voltado à afetividade. “Temos de priorizar o emocional porque a pessoa não vive sem atenção, carinho, afeto e proteção. Isso é o mais importante”, diz. Nas aulas com os nenéns, 20 minutos são destinados aos acalantos, canções mais relaxantes, nas quais os nomes das crianças são citados para reafirmar a identidade delas. “Cantar para o bebê é a estimulação do amor”, diz.

- (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Autismo

A musicoterapeuta Clarisse Prestes, que trabalha com crianças autistas, ensina que, para cada objetivo clínico, há um tipo de abordagem mais indicada. No caso dos pacientes que atende, por exemplo, sons repetitivos podem ser uma experiência negativa. “Nem sempre a música faz bem. O leigo pode ignorar algumas coisas e fazer mal a quem está ouvindo. O autista tem comportamentos fixos e repetitivos. Se é colocado um CD na frente dele, e ele ficar repetindo a mesma música, esse comportamento estará sendo reforçado”, afirma.

Há dois anos e meio, Clarisse atende crianças com o problema. Ela explica que o autismo é uma patologia cíclica — há picos de melhora e piora —, mas que com a musicoterapia tem apresentado bons resultados. “A música tem esse jeito de perguntar sem ser invasiva. Quando a criança tem autismo, a primeira coisa que os pais fazem é tentar que ela fale, então já levam para o fonoaudiólogo. Com a música, o autista consegue se soltar mais por meio da linguagem não verbal, porque sente que não há toda essa cobrança”, diz.

Com a psicóloga Carolina Leão, do Hospital Regional da Asa Sul (Hras), Clarisse pretende apresentar um projeto à Secretaria de Saúde do DF para a expansão do atendimento público a diversos tipos de pacientes. Carolina, que atende crianças no hospital, participou de oficinas de musicoterapia para estimulação na Universidade de Brasília. Ela conta que havia crianças com lesões cerebrais, para as quais a atividade teve um efeito surpreendente. “Elas desenvolveram a linguagem muito mais, comparando-se às crianças que não participavam do programa. O desenvolvimento geral foi acima do esperado”, diz.

As crianças Felipe (E) e Catarina frequentam oficinas de musicoterapia com o terapeuta Bruno Cesar Fortes, em Brasília – (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
As crianças Felipe (E) e Catarina frequentam oficinas de musicoterapia com o terapeuta Bruno Cesar Fortes, em Brasília

Na rede pública do DF, a musicoterapia ainda é recente e está presente em três unidades — em um centro de saúde para adolescentes de Santa Maria, na área de gestantes de alto risco do Hras e para pacientes terminais do Hospital de Apoio. A técnica foi incorporada ao Núcleo de Medicina Natural e Terapêuticas de Integração da secretaria em 2008, por intermédio da nutricionista e musicoterapeuta Soraya Terra Coury, coordenadora do serviço.

No fim de 2007, ela ajudou a implementar a pós-graduação na área, oferecida pela Escola Superior de Ciências da Saúde do GDF. Atualmente, há duas turmas formadas, sendo que oito profissionais que frequentaram o curso trabalham na rede pública. Segundo Soraya, a ideia é expandir o serviço, mas, como há poucos servidores especializados em Brasília, por enquanto, só será possível levar a musicoterapia à pediatria do Hospital de Base. “É possível que o Hras também aumente o serviço, estendendo às crianças”, diz.

Entusiasta da técnica, Soraya conta que as aplicações são diversas: vão da prevenção de doenças ao auxílio na reabilitação de paciente. Para idosos que sofrem de problemas neurológicos, como o mal de Alzheimer, é uma ótima opção, pois, segundo a especialista, o ritmo, a melodia e a harmonia ajudam a reaver as conexões neurais perdidas. “O ser humano tem uma ligação com o som desde a vida intrauterina. Por isso, a música tão um poder tão grande de mobilizar”, afirma.

1 – Método barato

Um outro estudo divulgado no ano passado nos Arquivos de doenças da infância, publicação científica de Londres, também mostrou a influência da música na recuperação de prematuros. Segundo os autores da pesquisa, as canções ajudaram os bebês a ganhar peso mais rápido, o que foi considerado por eles um método simples, barato e eficaz de tratamento nas UTIs neonatais.

“As melodias de Mozart são repetitivas e podem afetar os centros organizacionais do córtex cerebral” (Dror Mandel , médico e pesquisador da Universidade de Telavive, em Israel)

Fonte: http://www.musicoterapiabrasil.org

A música é …

Música é modernidade!

Pesquisadores das áreas de música, artes visuais, artes cênicas, ciência da computação e engenharias trabalham desde março de 2009 na análise e desenvolvimento de novos processos musicais focados na interação. Trata-se do Projeto Temático “Mobile: processos musicais interativos”, coordenado pelo professor Fernando Henrique de Oliveira Iazzetta na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e apoiado pela FAPESP.

A interdisciplinaridade é importante devido ao amplo alcance do projeto, que foi dividido em quatro linhas de pesquisa: “sonologia”, “desenvolvimento de sistemas interativos”, “produção artística” e “acústica musical, psicoacústica e auralização”.

A sonologia abrange os estudos teóricos sobre som e música. Envolve especialmente reflexões a respeito da interação musical, o estudo do gesto relacionado à performance musical, a análise de repertórios específicos e questões conceituais ligadas à produção musical contemporânea.

A linha de sistemas interativos engloba o estudo, projeto e construção de sistemas de criação e performance musical baseados em processos interativos. Esses sistemas podem ser de três tipos: computacional, relacionado à elaboração de softwares; eletrônico, para desenvolver dispositivos específicos como controladores gestuais e sensores; e conceitual, que visa a criar algoritmos e sistemas lógicos que possam dar origem a softwares ou se tornarem fórmulas auxiliares na produção musical.

“Essa parte envolve uma união entre computação, engenharia e arte para propiciar a realização de novos experimentos. É o caso, por exemplo, de se tentar captar algum parâmetro musical no movimento de uma bailarina. Isso demanda o desenvolvimento de sensores específicos conectados ao corpo do artista”, disse Iazzetta à Agência FAPESP.

A terceira linha reúne os resultados artísticos do trabalho científico vinculado à pesquisa. Artistas exploram conceitos e procedimentos interativos concebidos no âmbito do Projeto Temático, além de utilizar sistemas e tecnologias desenvolvidas por membros do grupo. Esse trabalho artístico enfoca a improvisação e a interação homem-máquina.

O quarto grupo é o mais técnico e atua no desenvolvimento de softwares de medição e avaliação acústica, em reproduções musicais para audição em espaços sonoros virtuais (auralização) e no estudo da percepção humana do som o que abrange desde a fisiologia do aparelho auditivo chegando até aos procedimentos neuronais envolvidos na recepção (psicoacústica).

Essa linha também continua as pesquisas iniciadas em outro Temático, intitulado “Projeto e simulação acústica de ambientes para escuta musical”, realizado de 2002 a 2006 e também coordenado por Iazzetta. Uma das vertentes dessa linha de pesquisa está no desenvolvimento de novas ferramentas para o aplicativo AcMus, gerado no âmbito do primeiro projeto.

Equipamentos mais sensíveis

De acordo com Iazzetta, umas das principais contribuições do Temático atual é enriquecer as reações de sistemas eletrônicos fazendo com que a leitura e a interpretação de comandos sejam mais detalhadas.

“Em um quarteto de cordas, os músicos não leem somente a partitura, eles interpretam gestos, posturas e ritmo de respiração uns dos outros e tocam em resposta a esses estímulos”, disse. O desafio é fazer com que aparelhos eletrônicos também reajam interpretando muitas outras variáveis e não somente o pressionar dos botões.

“Para tanto, a máquina precisa mapear o comportamento do artista e ler com maior riqueza de detalhes as suas intenções. Queremos fazer com que a tecnologia reconheça o contexto, mesmo que seja de uma maneira muito mais simplificada do que a percepção humana”, explicou Iazetta.

A pesquisa poderá resultar não somente em novos instrumentos e em novas ferramentas musicais, mas também em novas maneiras de se fazer música, ressalta o professor. O estudo deverá contribuir para o aumento do conhecimento sobre música e sobre como os seres humanos afetam e são afetados pelos sons.

Para quem quiser conferir o andamento do projeto, no fim de cada ano o grupo apresenta um evento nas dependências do Departamento de Música da ECA-USP com os resultados artísticos obtidos no período. Artistas visuais, cênicos e músicos mostram experimentos durante cerca de uma hora.

O evento de 2009, intitulado “¿Musica? 2” abriu a série e serviu de piloto para as próximas apresentações. No evento, obras musicais interativas, performances, vídeos e instalações ocuparam salas e o átrio da unidade.

“Cantos passados, cantos futuros”; “Campainhas para ouvidos fora de padrão”, “Sonocromática”, “Musica ficta” e “Improvvisazione al dente”, foram algumas das instalações e performances apresentadas.

Os eventos anuais do Mobile devem continuar até 2012. O Projeto Temático tem encerramento previsto para fevereiro de 2013.

Projeto Temático Mobile: http://www.eca.usp.br/mobile

Fonte: (2/2/2010 – Agência FAPESP)

http://www.agencia.fapesp.br/materia/11710/interacao-musical.htm

Dj Tee – Lançamento do álbum Pseudomine

O DJ e produtor Tee, importante empreendedor da cena eletrônica de Belo Horizonte, comemora 10 anos de discotecagem com um presentão para os seus fãs: o primeiro álbum do seu projeto solo de produção 3NITY.

O disco “Pseudomine” sai pelo seu próprio selo, o Conteúdo Records, que já soma mais de 10 mil downloads, com 14 EPs. O lançamento será registrado dentro do novo catálogo pago da plataforma virtual Conteúdo, que é uma das primeiras netlabels (gravadora digital de e-music) do Brasil.

Engajado nas evoluções tecnológicas, da linguagem à estética, o ‘mineirim avant-gard’ concretiza a indentidade do 3NITY com um álbum completão de 14 faixas. Com inspiração no repertório da sua carreira de sets e experiências dançantes por todo o país, o produtor vai fundo nas bases do techno e electro, pela ótica lúdica do minimalismo. Do minimal, ele segue a corrente mais classuda e melódica, cuja hipnóze não apela para a chuva de micro-sons – que os últimos meses viram na expansão do minimal às raves. Seu processo criativo se baseia na idéia da manipulação de “corpos estranhos” que de forma
construtivista formam a música, seja ela para dançar ou uma simplesmente ser observada.

Para as pistas (“R2d2 In My Disco”, “Pseudomine”) e para a mais tranquila contemplação (“Sounds Of A Deep Night”), o produtor, que já estudou piano, deixa a sua marca com climas intensos (deep) e melodias cantaroláveis, abusando dos seus sintetizadores virtuais.

“um trabalho que não determine um tempo, uma data, um momento, mas sim uma idéia, quase filme, com inicio meio e fim, e que possa ser visto e revisto sem medo daqui a algum tempo”.

O  título, “Pseudomine”, representa o seu movimento interno, entre as múltiplas facetas da sua trindade. Com uma década de constante pesquisa e experimento nas cabines, ele retribui uma bela obra à música eletrônica contemporânea, que o conquistou tão cedo.
Pseudomine é uma palavra inventada por ele mesmo e que remete ao pseudônimo.

“O meu pseudônimo… que ninguém conhece. Todo mundo me conhece como o DJ Tee”, revela ele, que também é responsável pela direção do festival anual Beats Por Mineiros (Música Eletrônica Ao Vivo).

Artista: 3NITY (aka DJ Tee)
Título: “Pseudomine”
Álbum: 14 faixas
Selo: Conteúdo Records
www.conteudorecords.com.br
Gêneros: Techno / Electro / Minimal
Data: 22/05/2009
Formato:
Catal: CTDO#P004
CD (1000 cópias) & Digital (wav & mp3)

3nity On Line:
www.3nity.com.br
www.myspace.com/my3nity
www.conteudorecords.com.br

Um estudo – A música e o consumidor

A escolha da música ambiente não se deve ao acaso. Nesse caso, joga-se com o compasso. Uma música lenta com propensão à nostalgia diminui a marcha dos clientes; quanto mais ficarem dentro da loja, mais consumirão. Contrariamente, nos fast-foods onde o objetivo é o serviço em cadeia, opta-se por músicas mais ritmadas. Questão de rentabilidade… “O som é um poderoso estimulante de compra”, confirma o Sr. Thierry Lageat, responsável pelo marketing do grupo Brime Technologies. Nessa sociedade de pesquisa em marketing sensorial, cada produto apresentado pelos industriais é testado, antes de ser colocado no mercado, por expertos denominados “ouvidos de ouro”. Sua função: comparar o som dos novos produtos com sons de síntese, veículos de imagens positivas.

“Tentamos desenvolver normas para definir o que é um som agradável e portador de sentido. Por exemplo, um som de estalo é símbolo de segurança. Ele será procurado para acompanhar o fechamento de um gel de banho ou de uma grade. Outros sons vão registrar no espírito do consumidor a idéia de dinamismo, de frescor ou ainda de luxo.” Escutando repetidamente sons feitos sob medida, o ouvido é inconscientemente condicionado a dar-lhes mais atenção. Em um ambiente vizinho, Christel, engenheira em marketing sensorial, testa cereais. A abertura do pacote, o despejar do leite, a mastigação. “Procura-se otimizar os sons dessas diferentes etapas, de forma a estimular o apetite, diz ela. Desde a abertura do pacote, todos os sons são trabalhados para despertar os sentidos. O formato dos cereais é recalculado se não estiverem bem crocantes”. Com a ajuda de um programa de computador que integra o formato e os materiais do produto testado, esses técnicos da venda podem saber quais as modificações necessárias para dar-lhe a “boa” sonoridade.

Restaurante Fast Food

Para lutar contra a concorrência, tudo é pesquisado e a mínima fraqueza do consumidor é explorada.

(Jornal Le Monde diplomatique, traduzido por Ana Lúcia Prado Catão e revisado por Marco Antônio Zanellato)

O Marketing Sonoro!

A música pode trazer benefícios para os negócios: é o que afirmam estudos sobre o assunto. O pesquisador americano Gordon Bruner afirma que a música ativa o sistema nervoso, e inclusive, a química do processo cerebral. Assim, ela é capaz de afetar o comportamento humano.

No mundo corporativo esta ferramenta pode ter aplicação prática para incentivar o consumo. Assim como a publicidade, o merchandising, a aromatização e outros elementos visuais, ela é fator influenciador e gerador de negócios. Muitas empresas já a consideram como parte da sua identidade, tão importante quanto a decoração da loja. Elas sabem que o som ambiente pode despertar reações afetivas e cognitivas nos consumidores, criando de forma velada, uma identificação com a marca.

Hoje já existe inclusive o chamado “marketing sonoro”, que nada mais é do que as técnicas de uso da música para influenciar a percepção do produto, empresa e marca pelo consumidor.  A Fnac francesa, por exemplo, tem grande interesse na clientela jovem e investiu centenas de milhares de francos para dispor dos serviços de especialistas em marketing sonoro. À entrada das Fnac Junior, lojas especializadas em jogos para crianças, um jogo de amarelinha, envolvido numa música suave, conduz sutilmente as crianças. No centro, há uma passarela musical e cada degrau ativa uma nota musical. Para atrair e reter os visitantes, a música corresponde à natureza dos brinquedos que eles descobrem. ‘‘É necessário que se saiba, de olhos fechados, que se está nesta loja, e não num concorrente’’, explica Michael Boumendil, inventor desta roupagem sonora. ‘‘A música cria um verdadeiro laço afetivo com o lugar e mergulha as crianças e os pais no universo da marca”, diz.

Para tentar aproveitar ao máximo o espaço de seu ponto-de-venda, algumas empresas têm criado até suas próprias rádios, selecionando seu repertório musical e inserindo comerciais e informações institucionais. Nada mais coerente. Afinal, se a música influencia o estado emocional do consumidor, pode tornar-se uma ferramenta ainda mais útil no incremento do negócio, se for adequada ao seu público-alvo.

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